Eu
Instante que realiza a percepção mais presente enquanto estou presente. Um coração que vibra num som que somente minha presença ouve, por estar relevantemente dentro, também fora, pois sou um complexo de dentro e fora em intersecção das partes com o meu todo.
Sou um pouco de tudo, um pouco de todos, afinal quem sou na real? Será que me habita uma parte que é realmente minha, ou seja, um Ser Eu Mesma, isolada ou misturada de tantas partes recebidas dos que chegaram antes de mim (ancestrais) compondo o meu Ser?
Preciso um mergulho nos complexos cômodos da mente, na conexão com memórias que estão registradas em cada célula do meu todo, tudo dentro tem vida pulsando e ao mesmo tempo registrando, somando ao já registrado todas as passagens do tempo, limitada – mente que em todos os graus possíveis é incapaz de alcançar o todo de todas as partes, mesmo que esteja dentro do mesmo ambiente.
Apesar do tamanho do corpo em que meu Ser habita, estrutura média, um metro e sessenta e alguns centímetros, pequeno espaço para tantas informações, olhando bem, parece que não cabe tudo dentro, será que tenho algumas ‘nuvens’ como assistente de armazenamento de conteúdo?
Acredito que sim, pois tenho clareza que quando quero, trago de dentro só não sei de onde vem, tanta conversa paralela, quanto mais escrevo, penso, crio outras portas vão se abrindo e me trazendo mais conteúdos e com alegria vou expondo em alguma página para registrar logo, porque assim como chega, também se vão sem nem mesmo se despedir ou deixar uma cópia para eu repetir.
E assim por hoje concluo que sou filosoficamente constante, ampla, aberta a cada dia para desbravar esse universo de conteúdos que me fazem compreender um pouco mais de mim no complexo de cada parte que compõe o meu todo que por hora chamo de Eu.
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